<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Los Angulos &#187; Textos</title>
	<atom:link href="http://angulos.wordpress.com/tag/textos/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://angulos.wordpress.com</link>
	<description>a aldeia dos irredutíveis escribas de viagem</description>
	<lastBuildDate>Fri, 03 Oct 2008 14:31:40 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
	<language>pt</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<cloud domain='angulos.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://www.gravatar.com/blavatar/7bed0ea7f76f4b506c15627a1c3759ac?s=96&#038;d=http://s.wordpress.com/i/buttonw-com.png</url>
		<title>Los Angulos &#187; Textos</title>
		<link>http://angulos.wordpress.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://angulos.wordpress.com/osd.xml" title="Los Angulos" />
		<item>
		<title>TXT. Um olhar sobre o espírito do Chiado</title>
		<link>http://angulos.wordpress.com/2008/10/03/txt-um-olhar-sobre-o-espirito-do-chiado/</link>
		<comments>http://angulos.wordpress.com/2008/10/03/txt-um-olhar-sobre-o-espirito-do-chiado/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 03 Oct 2008 10:12:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jnogueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[chiado]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://angulos.wordpress.com/?p=89</guid>
		<description><![CDATA[Emília Daniel Leitão (Ago-Set 2008)
Como mudou o Chiado desde a primeira vez que o vi, em 1970! Nessa altura, caminhava lentamente para a modernidade. Era já um centro cosmopolita, um bairro de contrastes, com muito movimento. Gostava de ficar no Café Chiado a observar o vaivém das pessoas que passavam apressadas, bem arranjadas. Ia ao [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=angulos.wordpress.com&blog=4883324&post=89&subd=angulos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>Emília Daniel Leitão (Ago-Set 2008)</strong></p>
<p>Como mudou o Chiado desde a primeira vez que o vi, em 1970! Nessa altura, caminhava lentamente para a modernidade. Era já um centro cosmopolita, um bairro de contrastes, com muito movimento. Gostava de ficar no Café Chiado a observar o vaivém das pessoas que passavam apressadas, bem arranjadas. Ia ao Tatá Rodrigues para comprar tecidos, à Casa Batalha para os botões, ao Alexandre e ao Jerónimo Martins para as coisas de casa e invariavelmente à Livraria Bertrand.</p>
<p><span id="more-89"></span></p>
<p>Hoje, subi a rua do Carmo. Para trás ficou o ruído dos autocarros, dos automóveis e gentes apressadas do Rossio. Fui olhando à minha volta com vontade de ver. Sapatarias sucediam-se a casas de moda. Ao meu lado direito um arco entre os prédios lembrava os bairros árabes. Prédios com fachadas trabalhadas mostravam o antigo encanto arquitectónico. No cimo da rua, parei e voltei-me. Lá está a ponte do elevador de Santa Justa, de Eiffel, sobre os prédios, qual Ponte dos Suspiros sobre o canal.</p>
<p>Mesmo ao meu lado, estava uma mulher de cabelos brancos, sentada num degrau que cantava um fado, acompanhada de um pequeno rádio, dando um cunho popular àquele espaço.</p>
<p>À porta de uma loja dirigi-me à empregada:</p>
<p>- Posso fazer-lhe uma pergunta? O que significa para si o Chiado?</p>
<p>- O local ideal para trabalhar. O local ideal para me divertir.</p>
<p>Ri-me e continuei pela rua Garrett. Um cheiro a café vinha de uma loja à minha esquerda, que me fez lembrar que tinha de ir almoçar. Mas onde? Havia tanto por onde escolher. Do outro lado da rua, um cartaz anunciava pratos tradicionais portugueses, outro, pratos rápidos, para quem não pode ou não quer deixar o escritório por muito tempo.</p>
<p>Eu preferi ir ao “Amo-te Chiado”. Na mesa ao meu lado estava o Pedro. Perguntei-lhe:</p>
<p>- Se tivesse de promover o Chiado, perante um visitante como o aliciava?</p>
<p>- Diria: é um bairro, recheado de tradição, onde se respira cultura, de Camões, a Eça e a Pessoa. É um bairro de tertúlias, divertido, onde se começou a respirar liberdade, no Carmo.</p>
<p>Achei que sim, que era uma bonita frase. Agradeci e fiz o meu pedido: bacalhau à Braz, uma salada mista de verduras e sangria. Fui mastigando as tostas com paté de atum e manteiga de ervas e azeitonas temperadas de azeite e alho, enquanto esperava o prato. Para finalizar uma rodela de ananás com hortelã. Tomaria o café na Brasileira.</p>
<p>Voltei à Rua Garrett e subi-a. O engraxador de sapatos, de seu nome Fernando Lima, com uma fatiota em azul-escuro, diz-me que trabalha no Chiado há mais de 20 anos.</p>
<p>- Para mim o Chiado é uma das mais bonitas zonas históricas de Lisboa e não me mudaria nunca para outro bairro.</p>
<p>Só há uma maneira de conhecermos bem uma cidade: calcorreando as suas ruas, deambulando pelas vielas, para sentir o espírito e a magia dos seus bairros. Por isso continuei O caminhar restitui-nos, aqui, os sons das ruas, os gritos das gaivotas, que do Tejo vêm apreciar a algazarra do momento, os cheiros que pairam no ar, o ritmo do tráfego. Percebemos até as rotinas dos habitantes.</p>
<p>Então perguntei a mim própria: “O que falta ao Chiado? E respondi: “Falta-lhe verde”. Há poucas árvores. Mas à minha esquerda uma florista vem colmatar um pouco esta falta. Traz algum verde e mais colorido com os seus vasos dispersos pelo passeio.</p>
<p>Sentei-me na Brasileira e dediquei-me ao ritual do café. Em frente a saída do metro. O movimento das pessoas lembrou-me um formigueiro.</p>
<p>No Chiado, à tarde, o bulício é ainda maior que de manhã. Lembrei-me de ter lido, algures, que mais de 200 000 pessoas atravessavam todos os dias a pé ou de carro, as suas principais artérias. E ali estavam umas boas centenas passando. Jovens em calções, mini saias, saias compridas, geens, com piercings, brincos, tatuagens, correntes. Cabelos curtos, compridos, espetados, escorridos, tranças, rastas. Senhoras em tallieur, salto alto, homens com fato e gravata. Ouvia-se francês, inglês, espanhol, brasileiro… Todos se cruzavam num jogo cosmopolita que atraía pela miscelânea e diversidade. Contrastes onde todos coabitam harmoniosamente, onde já não se dá atenção às disparidades, às divergências.</p>
<p>Num mundo de globalização e uniformização geral, sabem-nos bem as diferenças.</p>
<p>Imaginei-me no princípio do século passado, neste mesmo local. Damas de vestidos compridos e sombrinhas, meninas acompanhadas das chapperons e cavalheiros de cartola para um passeio no Chiado.<br />
Levantei-me. Deixei Fernando Pessoa, na companhia dos imensos turistas que se vinham sentar na cadeira ao seu lado, com um sorriso, à espera do clic da máquina fotográfica.</p>
<p>Depois da sedução das lojas de griffe ia embrenhar-me no encanto do Chiado monumental. Sobre o poeta António Ribeiro esvoaçavam pombos e  um músico entretinha-se lançando para o ar notas do seu trompete<br />
Mesmo ali ao lado, erguem-se duas igrejas barrocas, no meio dos prédios: a italiana, Igreja do Loreto e a Igreja de Nossa Senhora da Encarnação.</p>
<p>Entrei numa delas. A frescura do interior contrastava com o calor do Verão que estava no auge. Dei uma volta para apreciar bem o todo, os diferentes altares. As pinturas do tecto e paredes caracterizam bem o exagero dos adornos do estilo barroco. O cheiro a estearina já não é tão intenso. Tremeluzem agora velas eléctricas, consequências das preocupações com o ambiente e a preservação das pinturas.</p>
<p>À saída, uma brasileira abordou-me:</p>
<p>- Me diga, por favor, tem por aí, um guia, um bom livro, com dicas sobre este bairro? Queria conhecer melhor esta zona, que me disseram ser a que melhor representa a vida dos lisboetas.</p>
<p>Indiquei-lhe o “Convida”, um manual bilingue, onde poderia encontrar tudo, desde restaurantes a lojas de marca, cabeleireiros e teatros.</p>
<p>Um som estridente fez-me virar. Um eléctrico pachorrento acabava de parar no sinal. Figuras bem típicas desta cidade.</p>
<p>Continuei o meu trajecto, em busca de mais monumentos. Passei pela estátua de Camões, desci a rua do Alecrim. Entrei num alfarrabista onde comprei um livro com fotos antigas de Moçambique.</p>
<p>Perto  da estátua de Eça de Queirós, fui apreciar umas antiguidades. Peças escondendo histórias de famílias. Quem se teria sentado naquela cadeira, quem teria estado naquela moldura antiga, quem teria escrito sobre aquela escrivaninha do séc. XVII, quem teria usado aquela pena.</p>
<p>Embrenhei-me por umas ruelas, desci e subi escadinhas e fui ter à frente de um palacete de traça romântica, onde está instalado o Grémio Literário, centro de convívio e promoção da cultura. Frequentado por intelectuais, artistas, escritores, políticos e amantes das artes que ali se cruzavam diariamente. Estava um jovem por perto. Perguntei-lhe o que achava do Chiado. Não me levou muito a sério e respondeu:</p>
<p>- É a paisagem do mundo. Aqui tudo gira sem parar.</p>
<p>As sombras começavam a alongar-se pelas ruas, indiciando o fim da tarde. Sentei-me na Cafetaria do Museu do Chiado, um espaço amplo e arejado.</p>
<p>Segui em direcção ao Quartel do Carmo, célebre pela sua intervenção na rendição do Estado Novo. Vi as ruínas do Carmo e a bonita fonte ali perto.</p>
<p>Telefonei a uma amiga para vir jantar comigo à Cervejaria da Trindade.</p>
<p>Consolei-me a ver os bonitos azulejos amarelos, azuis e brancos, do séc. XVIII, com figuras que lembravam símbolos da maçonaria.</p>
<p>Quando saímos o cenário era outro. A noite estava a despertar. As ruas fervilhavam com pessoas em roupas mais elegantes e mais animadas. Um músico passou com uma guitarra e outro com um clarinete.</p>
<p>A esta hora começavam a encher-se os bares, as discotecas, as casas de fado e todos os locais de tertúlias nocturnas.</p>
<p>Ficara fascinada com o bairro. Muito dinâmico, com actividades em todos os sectores da vida social, económica, política e cultural.</p>
<p>Tinha de lá voltar outra vez. Muita coisa ficara por ver.</p>
<p>Aqui a tradição alia-se à inovação, para manter bem viva a magia e o espírito do Chiado, onde o antigo e a modernidade se caldeiam. É um bairro que caminha orgulhosamente, rumo ao futuro.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/angulos.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/angulos.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/angulos.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/angulos.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/angulos.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/angulos.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/angulos.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/angulos.wordpress.com/89/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/angulos.wordpress.com/89/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/angulos.wordpress.com/89/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=angulos.wordpress.com&blog=4883324&post=89&subd=angulos&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://angulos.wordpress.com/2008/10/03/txt-um-olhar-sobre-o-espirito-do-chiado/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/20de1bff68741ddbd786ae6babf97d13?s=96&#38;d=identicon" medium="image">
			<media:title type="html">jnogueira</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>TXT. Viagem ao Chiado</title>
		<link>http://angulos.wordpress.com/2008/09/18/txt-viagem-ao-chiado/</link>
		<comments>http://angulos.wordpress.com/2008/09/18/txt-viagem-ao-chiado/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 18 Sep 2008 15:25:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viajarviajar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[chiado]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://angulos.wordpress.com/?p=58</guid>
		<description><![CDATA[Patrícia M. Loureiro e Luísa Barata (Ago 2008)
Mais uma noite de copos no Bairro Alto. Jantamos na Primavera, onde a cozinha do Sr. Manuel, aqui radicado desde sempre, faz inveja a qualquer dona de casa alentejana que se preze. Seguimos para o Bartis, donde saímos depois de uma caipirinha e muito jazz. Continuamos a vaguear [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=angulos.wordpress.com&blog=4883324&post=58&subd=angulos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>Patrícia M. Loureiro e Luísa Barata (Ago 2008)</strong></p>
<p>Mais uma noite de copos no Bairro Alto. Jantamos na Primavera, onde a cozinha do Sr. Manuel, aqui radicado desde sempre, faz inveja a qualquer dona de casa alentejana que se preze. Seguimos para o Bartis, donde saímos depois de uma caipirinha e muito jazz. Continuamos a vaguear pelas ruas escuras do bairro. Cada vez mais pessoas enchem as vielas mal iluminadas, de copos na mão, sorriso na boca e muita conversa. A música da sucessão dos pequenos bares mal se ouve entre as vozes portuguesas e estrangeiras que se misturam.</p>
<p><span id="more-58"></span></p>
<p>Fomos espreitar à janela bem conhecida do ZDB, em busca de uma das muitas revelações musicais alternativas que aí acontecem. Desta feita, descobrimos uma harpista, cujo cartaz de parede anunciava como a musa inspiradora do Anthony &amp; The Johnsons.</p>
<p>Subimos mais um pouco e entramos no café onde combinamos encontrar-nos com Chris, galês empedernido, apaixonado por Lisboa. “Faz-me lembrar uma capital das colónias da América Central. São as Palmeiras, acho eu”, diz ele.</p>
<p>Lá dentro, quando o encontramos, já leva um grande avanço nas imperiais. Este é um ritual que cumpre religiosamente todas as semanas, desde que veio viver para Lisboa. Até já viveu no bairro, que só trocou por amor de uma médica espanhola, cujas noites de urgência não se compatibilizam com a agitação local. Agora vive no Saldanha, mas não consegue manter-se longe daqui por muito tempo. “Sentes-te saudades de Gales?”, perguntamos. Chris sorri por um momento, pensativo. “Não. Mas quando passo um fim de semana fora, sinto saudades de Lisboa”.</p>
<p>Pede mais uma rodada e apresenta-nos o seu amigo. António é pescador e vive aqui no bairro desde que nasceu, há mais de 50 anos.</p>
<p>É ele que nos conta um pouco da transformação que o bairro sofreu nos últimos anos, passando de zona degradada ao centro alternativo da capital.</p>
<p>No fundo, conta António, muita coisa não mudou. As manhãs continuam a ser as mesmas. As padarias e mercearias e o mercado continuam a vender os seus produtos aos locais, aos quais praticamente conhecem pelo nome. À tarde começam as novas lojas a abrir as portas, preguiçosamente entre a uma e as quatro. Para esses lojistas não há pressas… até porque os principais clientes vêm lá mais para o final da tarde e pela noite.</p>
<p>Convencidos do encanto do bairro pela noite, decidimos voltar na tarde seguinte.</p>
<p>Desde há alguns anos para cá podemos encontrar quase de tudo no bairro, principalmente as novas tendências, roupa retro dos anos 60 – 70 e 80, antigos discos, marcas alternativas como Volcom ou Skunk, uma sex shop divertida e luminosa, casas de chá, mercearias gourmet, cabeleireiros avant-garde, etc.</p>
<p>A não perder é certamente um corte de cabelo no WIP (Work in Progress), mescla de internet café e cabeleireiro, onde o Peter ou a Sabine, prometem uma transformação total, mesmo ali a meio do elevador da Bica, com vista para o rio.</p>
<p>Para relaxar das compras, também se recomenda uma paragem na Cultura do Chá, na Rua das Salgadeiras. Nas paredes há motivos tipicamente portugueses e às mesas chegam chás e infusões, tartes caseiras e scones apetitosos, reconfortantes após caminhar pelas subidas e descidas do bairro.</p>
<p>E para comprar mimos doces e salgados, nada melhor que a mercearia da Atalaia, na rua com o mesmo nome.</p>
<p>E, para mais tarde recordar, com o feeling surreal do Bairro, basta passar pela embaixada lomográfica e comprar uma lomo, quanto mais louca melhor, e sair pela rua disparando, mas sem olhar pela objectiva. Assim mandam as regras da prática, segundo nos conta Maria João. Esta castiça embaixatriz lomográfica apaixonou-se por este tipo de fotografia e no bairro encontrou o lugar perfeito para a disseminar.</p>
<p>Assim é o bairro de hoje, onde se encontram as novas tendências misturadas com mercearias tradicionais, gente estrangeira e jovem, hippie-chic, misturada com os antigos moradores, alfacinhas de gema, velhos como as pedras da calçada.</p>
<p>É esta amálgama de gente e de estilos que atraiu Ana, uma jovem portuense que veio morar para Lisboa há 2 anos e que cedo descobriu que era no bairro que queria estar. “O bairro é fantástico, tem a dose certa de um certo desencanto e degradação, tradição e todas as ondas alternativas que se possa imaginar desde punk a hippie…”. Ana vive numa casa antiga, sem elevador, numas águas furtadas e soalho de madeira, desses que rangem. Apesar das janelas fechadas, ouve-se o ruído das gentes e da música que se prolonga pela madrugada fora, todas as noites da semana. O ruído não a incomoda: “Até me embala!”, ri-se Ana.</p>
<p>De facto, nada como andar no bairro para se perceber o que é uma cidade cosmopolita. Aqui há um espaço para todos.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/angulos.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/angulos.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/angulos.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/angulos.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/angulos.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/angulos.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/angulos.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/angulos.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/angulos.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/angulos.wordpress.com/58/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=angulos.wordpress.com&blog=4883324&post=58&subd=angulos&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://angulos.wordpress.com/2008/09/18/txt-viagem-ao-chiado/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/3bb0327792f5d22d0921cf894bb7af78?s=96&#38;d=identicon" medium="image">
			<media:title type="html">viajarviajar</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>TXT. Muy pequeño, molto stronzi, and reasonably unimaginative Bericht über O CHIADO pour les nulls*</title>
		<link>http://angulos.wordpress.com/2008/09/18/txt-muy-pequeno/</link>
		<comments>http://angulos.wordpress.com/2008/09/18/txt-muy-pequeno/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 18 Sep 2008 15:21:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viajarviajar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia de Viagens]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[chiado]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://angulos.wordpress.com/?p=56</guid>
		<description><![CDATA[João M. Nogueira (Ago-Set 2008)
Trinta e seis parágrafos, mil oitocentas e oitenta e seis palavras e oito mil novecentos e setenta caracteres, espaços não incluídos. Pensava eu precisar de 5.000 ou 10.000 caracteres para falar do Chiado, uma das zonas mais emblemáticas de Lisboa, mas o Chiado – já devia suspeitar – não se presta [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=angulos.wordpress.com&blog=4883324&post=56&subd=angulos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>João M. Nogueira (Ago-Set 2008)</strong></p>
<p>Trinta e seis parágrafos, mil oitocentas e oitenta e seis palavras e oito mil novecentos e setenta caracteres, espaços não incluídos. Pensava eu precisar de 5.000 ou 10.000 caracteres para falar do Chiado, uma das zonas mais emblemáticas de Lisboa, mas o Chiado – já devia suspeitar – não se presta a números redondos e contas certas.</p>
<p>Sobre o Chiado abundam lugares comuns, mas este lugar no meio da cidade está longe de ser um lugar comum.</p>
<p style="text-align:left;"><a href="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie04_img_1490.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-46" title="vv_serie04_img_1490" src="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie04_img_1490.jpg?w=128&#038;h=85" alt="" width="128" height="85" /></a> <a href="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie04_img_1483.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-50" title="vv_serie04_img_1483" src="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie04_img_1483.jpg?w=128&#038;h=85" alt="" width="128" height="85" /></a> <a href="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie02_img_1425.jpg"> <img class="alignnone size-thumbnail wp-image-45" title="vv_serie02_img_1425" src="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie02_img_1425.jpg?w=128&#038;h=85" alt="" width="128" height="85" /></a></p>
<p style="text-align:left;"><a href="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie02_img_1479.jpg"> <img class="alignnone size-thumbnail wp-image-47" title="vv_serie02_img_1479" src="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie02_img_1479.jpg?w=128&#038;h=85" alt="" width="128" height="85" /></a> <a href="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie03_img_1444.jpg"> <img class="alignnone size-thumbnail wp-image-48" title="vv_serie03_img_1444" src="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie03_img_1444.jpg?w=128&#038;h=85" alt="" width="128" height="85" /></a> <a href="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie03_img_1446.jpg"> <img class="alignnone size-thumbnail wp-image-49" title="vv_serie03_img_1446" src="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie03_img_1446.jpg?w=128&#038;h=85" alt="" width="128" height="85" /></a></p>
<p><span id="more-56"></span><br />
<strong>1. Chiado, Andrea, Galões</strong></p>
<p>É isso que tento explicar, a custo, a Andrea. Andrea é 1,67m de bávara, com 3,5 dioptrias magiares e 12/7 de tensão arterial checa. Isto é, nasceu na Bavária, é filha de pai húngaro e de mãe saxónica e, por ora, vive em Praga, República Checa. Como se não bastasse, Andrea é – além de tudo isso – linguista. De passagem por Lisboa pediu-me para lhe mostrar, com aspas, a cidade. E eu mostrei-lhe a cidade, com aspas. E o Chiado. Na verdade, mostrei-lhe um certo Chiado. Sabem, aquele Chiado que alguém como eu mostra a alguém como ela. Uma visita ao Chiado só para ti, Andrea: um Chiado para as gentes das linguísticas, das etnografias, das histórias.</p>
<p>A tarde está a chegar ao fim e Andrea e eu estamos sentados entre galões e uma fatia de <em>Sachertorte </em>no <em>Kaffeehaus</em>, o novo café austríaco do Chiado. Ela faz perguntas, eu esboço respostas. Pergunta-me se Lisboa, se Portugal, cabem no Chiado. Digo-lhe que sim e que não. Não é fácil dizer-lhe que hoje o Chiado é mais parecido com ela do que um retrato dos lisboetas que poucas horas antes andámos à procura pelas ruas desta zona. Entretidos entre galões, a conversa faz o relógio recuar algumas horas até ao nosso fim de tarde, de cá para lá e daqui para ali.</p>
<p><strong>2. Ruas, Praças, Largos</strong></p>
<p>“Bolas, preciso de um ângulo!” – exclamo. “O que queres dizer?” – pergunta-me Andrea. Se ela está à procura de lisboetas no Chiado, eu estou à procura de um ponto de vista, de um ângulo. Do meu ângulo. Ela sorri. Falo-lhe dos clássicos, de Paul Theroux e de Bruce Chatwin; dos livros de Bill Bryson e de Colin Thubron; das escritas de viagens e da fotografia de viagens. Falo-lhe de planisférios pessoais e de viagens sentimentais. Andrea diz que o ângulo se tem &#8211; se atinge &#8211; quando se chega e não quando se parte. Envergonhado, acedo&#8230; e então partimos à procura do Chiado, de lisboetas e de ângulos (não necessariamente por esta ordem).</p>
<p>Passeamos pela Rua do Carmo, pela Rua Nova do Almada e pela Rua Garrett. Andrea diz que o que vê lhe parecem <em>Straßen</em>, <em>Alleen </em>e <em>Plätze</em>. Mas não: são ruas, avenidas e praças. Seguimos pela Anchieta, pela Serpa Pinto, pela António Maria Cardoso, subimos o Alecrim e a Calçada do Sacramento, caímos no Carmo e na Trindade, descemos a Misericórdia. Acabamos ao largo dos largos – primeiro o Camões, depois o Chiado.<br />
Pelo caminho passamos por lugares sagrados: São Roque, Nossa Senhora do Loreto, Nossa Senhora da Encarnação, Basílica dos Mártires e Sacramento.</p>
<p>Passamos também por espaços sagrados que já não o são: o Convento de São Francisco da Cidade, onde é hoje a Faculdade de Belas Artes de Lisboa; o Convento da Boa Hora, onde é hoje o Tribunal. O Chiado tem tudo: lojas e cafés e igrejas e lojas e serviços e bancos e lojas. O Chiado tem até um hospital da ordem terceira que é um hospital de terceira ordem.</p>
<p>Isto promete, não promete, Andrea?</p>
<p><strong>3. História, Estórias, Magia</strong></p>
<p>O Chiado dos dias que correm é uma janela para Lisboa, mas em tempos já foi porta. Nos tempos medievais era no topo da Rua das Portas de Santa Catarina, hoje Rua Garrett, que se abria a principal porta da muralha fernandina para a cidade. Daqui vêm-se hoje as colinas da cidade dos miradouros de São Pedro de Alcântara e de Santa Catarina. Daqui sobem-se as colinas da cidade nos elevadores de Sta.Justa, da Glória, da Bica. Mas ao Chiado, explico-lhe, ninguém sabe bem desenhar as fronteiras. Digo-lhe que essas coisas não se sabem ao certo. O coração do Chiado será, talvez, a mais pequena freguesia de Lisboa: os Mártires. Mas há também um pouco da Encarnação, do Sacramento, de São Paulo e de Santa Catarina. Há ainda um não-lugar que faz parte do Chiado e que nele entra e dele sai, em movimento pendular, ao longo do dia: o Eléctrico 28. O Chiado está cheio de lugares e não-lugares.</p>
<blockquote><p>Para além do 28, o chiado está cheio de números: 26 (número de arruamentos da freguesia do Sacramento); 85,2 (percentagem de casas construída até 1970 nas freguesias dos Mártires, Sacramento, Encarnação, São Paulo e Sta.Catarina); 341 (número de habitantes da freguesia dos Mártires); 1780 (data da primeira experiência de iluminação urbana em Portugal com lamparinas de azeite); 1925 (data da colocação da estátua do poeta Chiado de Costa Mota); 3552,1 (densidade &#8211; habitantes por km² &#8211; da freguesia dos Mártires); 4081 (número de habitantes da freguesia de Sta. Catarina); 19 526,3 (densidade habitacional da freguesia de Sta. Catarina).</p></blockquote>
<p><em>Felicitas Julia Olissipo</em> (ou apenas <em>Olissipo</em>) e <em>Al-Ushbuna</em>, era esse nome de Lisboa ao tempo de romanos e de árabes, respectivamente. Nesses tempos o Chiado não era mais do que algumas vilas romanas ou terrenos agrícolas com vista sobre o Tejo. Depois desses tempos o Chiado foi muitas outras coisas. Aproveito para lhe falar de história e de datas: de 1147, quando aqui acamparam os cruzados aquando do Cerco de Lisboa; de 1217, quando começou a construção do edifício mais importante da cidade durante a Idade Média, o Convento de S.Francisco; de 1567, quando o Chiado foi chamado de Chiado; de 1755, quando o convento do Carmo se aguentou; de 1974, quando o quartel do Carmo não resistiu; e de 1988, quando o Chiado ardeu e deixou de ser o velho Chiado. Falo-lhe de tudo um pouco e de uma série de nadas, mas coisa pouca.</p>
<p>Mas o Chiado não é só História, com “H” maiúsculo: é também histórias com “h” minúsculo. São as histórias da vida de todos os dias das pessoas que aqui vivem, que cá trabalham, que pelo Chiado passam. E também as suas estórias. Falo-lhe da geografia humana, social e urbanística destes espaços. Falo-lhe das curiosidades antropológicas destes lugares. Do inusitado facto de grande parte da população mais antiga desta zona ser originária das regiões Norte e Centro do país (sobretudo, as chamadas “gentes de borda-d’água”, das zonas litorais como a Póvoa de Varzim ou Vila do Conde). Falo-lhe da gentrificação: do novo Chiado dos jovens trota-mundos, dos ateliês e estúdios. Andrea sorri.</p>
<p>Falo-lhe da poesia do Chiado. D’<em>O Sentimento dum Ocidental</em>, de Cesário Verde, de Fernando Pessoa. Falo-lhe também de António Ribeiro, o Chiado.</p>
<p>Andrea questiona-me se o Chiado é um lugar mágico. “Hoje até é, Andrea” – digo enquanto nos detemos a ver Ian Saville, mágico inglês a actuar no “<em>LISBOAmágica &#8211; street magic world festival</em>”. Por momentos, o Largo Camões enche-se de turistas e transforma-se no largo dos camones, ironizo. Logo depois, seguem-se o americano Christopher Howell e os argentinos Brando y Silvana. Estes mágicos de todo o mundo estão de passagem, mas o Chiado de hoje também é feito de gente assim. De gente de todo o mundo, entenda-se, não de ilusionistas.</p>
<p>Será que ainda falta muito para encontrar um ângulo?</p>
<p><strong>4. Gentes, Línguas, Memórias</strong></p>
<p>Falar nas gentes do Chiado é falar de gentes do mundo. Na verdade, o Chiado é um mundo… ou mais. Artistas, pedintes, traseuntes, turistas, funcionários, de várias origens e de várias nações. E até lhe digo que aqui pertinho, há Tóquio, há Jamaica, há Hamburgo, já houve Texas. Há uma loja que se chama Paris em Lisboa, mas o Chiado é mais do que isso: é Londres, é Roma, é Berlim, é Amsterdão. E é também o Alentejo e as Beiras e o Minho.</p>
<p>No Chiado cabe um universo de línguas: pelas ruas ouvimos dizer <em>mi piace viaggare</em>, <em>je ne crois pas</em>, <em>por supuesto que si</em>, <em>Ich bin müde</em>, <em>tyvärr jag talar bara litet svenska</em>, <em>jeg elsker dig</em>. No Chiado cabe um mundo de corpos: gentes com disposições corporais ibéricas, pessoas com proxémias escandinavas, grupos com gestos gauleses e itálicos. Pelo caminho, vemos aquele misterioso senhor asiático que toca guitarra como ninguém no largo ou aqueles rapazes com os seus cães que se apropriam da rua e pedem uns trocos a troco de malabarismos. Explico-lhe que o Chiado é muita coisa e é multi-muita-coisa, mas não é a mesma multi-muita-coisa que são o Martim Moniz ou a Mouraria.</p>
<p>A magia do Chiado não se esgota na magia no Chiado, sabes Andrea.</p>
<p>Os alemães utilizam uma palavra quase intraduzível para falar de nostalgia por algo ou alguém que não se sabe bem identificar: <em>Sehnsucht</em>. O Chiado é, sobretudo, aquilo que as pessoas que nele vivem e por ele passam se lembram que ele foi. Andrea percebe o que quero dizer: que o Chiado é todo ele <em>Sehnsucht</em>. Uma estranha comunhão de passados e de memórias.</p>
<p>“Amo-te Chiado” – lê ela numa placa. “Eu também, Andrea, eu também” – sorrio para ela. E falo-lhe da minha infância, da Benard, da Brasileira e do que me fascinava então no Chiado: os pastéis de nata, os babás, os caracóis, os guardanapos, os jesuítas, as parras, as tortas, os esquimós, os bolos de arroz, as bolas de berlim.</p>
<p>Caramba, como gosto desse Chiado! O Chiado é todo ele cheiro a bolos e a meias-de-leite. E, para mim, o Chiado – ao pé da antiga casa da minha avó – também é todo desenhos animados: o “Era Uma Vez a Vida”, os “Marretas”, os “Amigos do Gaspar”, a “Ana dos Cabelos Ruivos”, o “Verão Azul”, o Vasco Granja.</p>
<p>Já falta pouco, a sério.</p>
<p><strong>5. Viagens, Linguística, Ângulos</strong></p>
<p>38° 42′ 38″ N, 9° 8′ 32″ W são as coordenadas do Chiado. Na verdade, são das poucas coisas que temos por seguro sobre o Chiado. Há tantos clichés sobre o Chiado que até o dizer-se que há tantos clichés sobre o Chiado é um cliché.</p>
<p>“O que gostas tu no Chiado?”, pergunta-me Andrea. Do Chiado gosto de quando em vez e de vez em quando. Gosto que baste, mas não gosto que chegue. Gosto-lhe dos entretantos, das entrelinhas, dos entremeios e dos entrecantos. Às vezes, vezes demais, já não sei bem do que é que gosto no Chiado.</p>
<p>Mas o que mais gosto no Chiado, cara amiga, é a linguística. São as onomatopeias (os cricris, os toctocs e os cofcofs) e as interjeições (os ahs e ohs e uis). São as conjunções adversativas: os todavias, os poréns, os contudos, os mas, os no entantos, os ainda assins, os não obstantes. Ou melhor, os <em>sin embargos</em> e os <em>nonethelesses </em>das gentes do Chiado.</p>
<p>Pois, parece que já escrevi demais.</p>
<p>A nossa pequena viagem está quase no fim. Chegamos ao <em>Kaffeehaus</em> para um par de galões e uma fatia de <em>Sachertorte</em>. Sei quase tudo sobre ângulos nulos, agudos, rectos, obtusos, rasos, côncavos, completos, mas continuo sem encontrar um ângulo para o Chiado. Do outro lado da mesa, o mesmo desapontamento. Andrea diz-me – com algum embaraço – que ainda não percebe bem o que é o Chiado. Digo-lhe que não faz mal. Nós – que nele passamos quotidianamente – também não.</p>
<p>*: Uma reportagem muito pequena, bem tola e razoavelmente enfadonha sobre o chiado… para totós.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/angulos.wordpress.com/56/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/angulos.wordpress.com/56/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/angulos.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/angulos.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/angulos.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/angulos.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/angulos.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/angulos.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/angulos.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/angulos.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/angulos.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/angulos.wordpress.com/56/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=angulos.wordpress.com&blog=4883324&post=56&subd=angulos&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://angulos.wordpress.com/2008/09/18/txt-muy-pequeno/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/3bb0327792f5d22d0921cf894bb7af78?s=96&#38;d=identicon" medium="image">
			<media:title type="html">viajarviajar</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie04_img_1490.jpg?w=128" medium="image">
			<media:title type="html">vv_serie04_img_1490</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie04_img_1483.jpg?w=128" medium="image">
			<media:title type="html">vv_serie04_img_1483</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie02_img_1425.jpg?w=128" medium="image">
			<media:title type="html">vv_serie02_img_1425</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie02_img_1479.jpg?w=128" medium="image">
			<media:title type="html">vv_serie02_img_1479</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie03_img_1444.jpg?w=128" medium="image">
			<media:title type="html">vv_serie03_img_1444</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://viajarviajar.files.wordpress.com/2008/09/vv_serie03_img_1446.jpg?w=128" medium="image">
			<media:title type="html">vv_serie03_img_1446</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>TXT. Manifestos Que Ninguém Compreende</title>
		<link>http://angulos.wordpress.com/2008/09/18/txt-manifestos-que-ninguem-compreende/</link>
		<comments>http://angulos.wordpress.com/2008/09/18/txt-manifestos-que-ninguem-compreende/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 18 Sep 2008 15:16:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viajarviajar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[chiado]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://viajarviajar.wordpress.com/?p=60</guid>
		<description><![CDATA[Tiago Espanto (Ago 2008)
As palmas voltam ao Chiado. Um ilusionista de fato vermelho, profissional, ocupa a área que é quase sempre dos freelancers da esmola. Faz desaparecer o normal corrupio de gente do Largo do Chiado. Os transeuntes deixam de o ser. Param para ver a magia de rua inserida no Festival Lisboa Mágica.
E as [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=angulos.wordpress.com&blog=4883324&post=4&subd=angulos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>Tiago Espanto (Ago 2008)</strong></p>
<p>As palmas voltam ao Chiado. Um ilusionista de fato vermelho, profissional, ocupa a área que é quase sempre dos freelancers da esmola. Faz desaparecer o normal corrupio de gente do Largo do Chiado. Os transeuntes deixam de o ser. Param para ver a magia de rua inserida no Festival Lisboa Mágica.</p>
<p>E as palmas voltam-se para o Chiado. Há uns séculos atrás, o poeta da sátira, António Ribeiro Chiado, também fazia magia: a de transformar as feições dos rostos de quem o ouvia. Ainda hoje se ri, curvado para o espectáculo.<br />
<span id="more-4"></span></p>
<p>Na periferia do público, a distribuir folhetos do festival, está Esteban Quito, que passeia com uma trela um cão imaginário. O mago ausenta-se por momentos do personagem para me explicar em galaico-português porque razão a magia de rua é quase sempre cómica:</p>
<p><em>Aqui as pessoas não estão sentadas, não sabem o que vêm ver. Temos de ser mais interactivos, mais clown.</em></p>
<p><em>É a tua primeira vez em Portugal?</em></p>
<p><em>Sim. Com este clima dá mais gosto…E a luz de Lisboa… É mágica.</em></p>
<p>É uma Lisboa mágica, repleta de luz, de brilho, de clichés. É simples tirar chavões da cartola: sob o pôr-do-sol magnífico que doura o Chiado, os turistas trocam sorrisos no paraíso da esplanada com uma cerveja refrescante. É já também um cliché fugir a correr dos clichés, mas apesar deste espaço usurpado ao verdadeiro e antigo Chiado se ter tornado num lugar-comum, ninguém daqui arreda pé. O Chiado é vulgar porque permite que as mais divergentes espécies humanas a ele se adaptem e nele se misturem: a gente gira e abundante, mártires da moda, passeia-se em frente à Basílica dos Mártires; os punks prendem o cão sozinho no meio da rua para que lhe deixem dinheiro; os turistas deliciados procuram os empregados; à parte disso, a impavidez de Álvaro de Campos tem em si <em>todos os sonhos do mundo</em>; ao longe, no Largo do Camões, senhoras apegadas aos banquinhos comentam quem passa na velhice da coscuvilhice.</p>
<p>Entretanto, entra em cena em alaridos bagaceiros o australiano Nick Nickolas, que deixa a assistência sem saber onde põe as bolas de ténis. Gargalhadas e reacções de espanto ecoam pelos prédios rejuvenescidos. No meio de tamanha chiadeira, o cão de Esteban Quito está irrequieto. Enquanto lhe faço festas para o tentar acalmar, pergunto ao seu dono se também consegue fazer desaparecer alguma coisa.</p>
<p><em>Eu faço desaparecer o carto</em>, diz com ar brincalhão enquanto esfrega o indicador no polegar.</p>
<p>Que golpázios de ilusionismo haveriam, se os personagens do Chiado soubessem truques de magia para fazer desaparecer o que quisessem: a gente gira livrava-se das imperfeições estéticas, os cães dos punks faziam desaparecer os ossos dos talhos, os turistas os pickpockets, o Álvaro de Campos evaporava os turistas que assediam a sua brasileira favorita. O grupo de senhoras sentadas faz mesmo magia, fazendo desaparecer as cerimónias: “<em>Isto agora é tudo uma cambada de paneleiros.</em>”</p>
<p><strong>O BAIRRO, OCUPADO POR DESOCUPADOS</strong></p>
<p>Se visse a maneira como as gentes do século XXI tratam as paredes do Bairro Alto, era provável que Almada Negreiros também lhes chamasse de uma “<em>geração que nunca o foi, um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos</em>. Almada, que escreveu aos 23 anos o Manifesto Anti-Dantas, não entenderia como é possível que uns gatafunhos sejam a intervenção social de uns pseudos-Basquiat na pobre idade da puberdade. Para serem do Mundo, de escritores passaram a <em>writers</em>. Mas se querem falar ao mundo, porque não se fazem entender? As tags não têm significado. Parece que o objectivo é não fazer sentido. Ou então andam apenas a marcar território, como fazem os animais.</p>
<p>Afinal de quem são as paredes do Bairro? De quem é o Bairro? Os jovens embebedam-se, os turistas alimentam-se, as velhotas observam. Desde a varanda de sua casa, uma residente disparata com uma turista asiática que disparava sobre a rua: “<em>Porque é que você não tira fotos à sua tia ou à sua avó?</em>” A oriental percebe no cinzento em que a senhora vive e segue o seu caminho. É certo que vai inspirar fragrâncias a caril e a uma mistura de cerveja com algo parecido.</p>
<p>Em frente ao Restaurante Capotes Brancos, faço uma pergunta a uma senhora de avental que pede companhia ao fumo. Ela responde: <em>Oi? </em>Depois de duas tentativas, a comunicação é estabelecida:</p>
<p><em>Porque é que as paredes desta rua não estão pintadas com graffitis?</em></p>
<p><em>Ah, entendji, porquê estas as paredis não estão pinchádas? Porque tem polícia à paisâna aí na esquina todá noitxi. São nossos amigos e controlam tudo.</em></p>
<p>Contornando a autoridade, será que os graffiters encontrarão gozo na clandestinidade do acto? Porque produzem lixo? Ninguém encontra respostas. Nem o polícia. Diz para eu ter a bondade de perguntar, mas fala de forma esforçada.</p>
<p><em>É verdade que anda aí polícia à paisana?</em></p>
<p><em>É&#8230;</em></p>
<p><em>E porque não os põem nas ruas todas para acabar com os graffitis?</em></p>
<p><em>Não sei&#8230;</em></p>
<p><em>Também eles só devem pintar lá para altas horas de noite, não?</em></p>
<p><em>Eles lá pintam… Não têm nada para fazer&#8230;</em></p>
<p>Dá mais uns passos, junta-se aos restantes polícias, e diz: <em>Manda lá grelhar as febras pá! Aquilo é barato, por 35 euros comemos todos. </em>Bom apetite, senhores guardas.</p>
<p>E continua a ronda por este labirinto sem saída sóbria. Um senhor de bigode atrai clientela valendo-se da bobine exagerada da simpatia: “<em>Hello, good evening, nice place, Portuguese music</em>”. Lá dentro no restaurante alguém está a chorar. Na rua, durante o turno do cigarro, a mãe da Mara também canta o Fado: “<em>Vê lá tu que a minha Mara recebeu uma carta das Finanças vinda do Porto para pagar 8000 e tal contos… Ela nem nunca foi ao Porto&#8230; E como é que eu pago? Eu vou com isto para a televisão</em>.”</p>
<p>Com certeza que a mãe da Mara tem muito mais com que se preocupar do que em saber porque andam a ser pintadas as paredes do Bairro Alto. Mas tal como a informação na Internet, também no entulho de graffitis se pode encontrar tesouros que ajudem a explicar o fenómeno: <em>Precários nos querem, rebeldes nos terão.</em></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/angulos.wordpress.com/4/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/angulos.wordpress.com/4/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/angulos.wordpress.com/4/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/angulos.wordpress.com/4/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/angulos.wordpress.com/4/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/angulos.wordpress.com/4/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/angulos.wordpress.com/4/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/angulos.wordpress.com/4/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/angulos.wordpress.com/4/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/angulos.wordpress.com/4/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/angulos.wordpress.com/4/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/angulos.wordpress.com/4/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=angulos.wordpress.com&blog=4883324&post=4&subd=angulos&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://angulos.wordpress.com/2008/09/18/txt-manifestos-que-ninguem-compreende/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/3bb0327792f5d22d0921cf894bb7af78?s=96&#38;d=identicon" medium="image">
			<media:title type="html">viajarviajar</media:title>
		</media:content>
	</item>
	</channel>
</rss>